quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Fenômenos do Campo Grupal - Ansiedades, defesas e identificações - Parte 2 (final)

Mecanismos de Defesa
Via de regra, as defesas são tipos de negações, variando das formas mais primitivas e alicerçadas em uma onipotência mágica às formas mais amadurecidas:

- A forma primitiva extrema, própria dos estados PSICÓTICOS, é denominada "FORCLUSÃO"(ou repúdio), e consisste em fazer uma negação extensiva à realidade exterior e substituí-la pela criação de uma outra realidade ficcional.
- Logo após, "RENEGAÇÃO", que é típica das estruturas perversas e consiste em um mecanismo pelo qual o sujeito nega o conhecimento de uma verdade que, bem no fundo, ele sabe que existe.
- Em seguida, vem as negações que acompanham a "posição esquizoparanóide", as dissociações, projeções, identificações projetivas, introjeções e idealizações.
- Com o amadurecer, defesas menos arcaicas são empregadas como o deslocamento,  a anulação, o isolamento, a regressão e a transformação ao contrário, típicas dos quadros "OBSSESSIVOS-COMPULSIVOS e FÓBICOS", entre outros.
- E finalmente, um Ego mais amadurecido tem condições de utilizar defesas mais estruturadas, como a repressão, a formação reativa, a racionalização e a sublimação, entre outros. Freud concentrou a psicanálise em torno da repressão (ou recalcamento), sempre presente em ESTRUTURAS HISTÉRICAS.


Identificações
Proto-identificações:
- adesiva (não ouve o "desgrude" da mãe, nesse caso, "ter" a mãe [ou o terapeuta] é o mesmo que "ser a mãe"
- especular (a criança comporta-se como se fosse uma mera imagem que somente reflete os desejos da mãe ou, vice-versa, encara os outros como sendo simples prolongamento de si própria)
- adictiva (decorre da anterior e consiste em que, devido à fala de figuras solidamente introjetadas, o indivíduo fica sem identidade própria e, por isso, "adicto" a certas pessoas que o completam e complementam)
- imitativa (na evolução normal ela é um primeiro passo para a identificação normal, no entanto, muitas vezes, pode se constituir como uma forma permanente de personalidade camaleônica).

"Em grupos maiores, como, por exemplo, uma gangue ou uma turma de adolescentes, costumam se formar identificações mútuas entre os seus membros. Tais identificações promovem um sentimento de unificação e pertinência; portanto, uma identidade grupal, que os protege contra a perda total do sentimento de identidade, mas que acarreta um grave prejuízo no funcionamento emancipado do Ego de cada um eles."

As identificações propriamente ditas resultam de um processo de introjeção de figuras parentais dentro do Ego e do Superego, o que pode ocorrer através de uma das seguintes formas:
- com a figura amada e admirada (é a que constitui as identificações mais sadias e harmônicas)
- com a figura idealizada (costuma ser frágil e não suporta as frustrações)
- com a figura odiada
- com a figura perdida (é a base dos processos depressivos)
- com a figura atacada
- com alguns aspectos parciais dessas figuras (por ex., a presença de um mesmo sintoma, ou um mesmo maneirismo, etc.)
- com os valores que lhe foram impostos

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