segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Fatores ou agentes de mudança em psicoterapia - 1

Segundo Luborsky (1976):

1)- as técnicas utilzadas, específicas de cada modelo e que englobariam as diferentes intervenções do terapeuta, bem como a forma como são estruturadas e conduzidas as sessões.

2)- a relação paciente-terapeuta, englobando os fenômenos transferenciais, os aspectos lógicos e racionais (aliança terapêutica) e os aspectos reais da própria relação (incluindo-se o vínculo afetivo com o terapeuta), os quais seriam os fatores não específicos, comuns a praticamente todas as terapias.

Segundo Karasu (1986):

Agentes de mudanças comuns às diversas psicoterapias:
- experiência afetiva: o clima favorável para expressar e compartilhar emoções, e realizar a catarse, tornaria o paciente mais acessível e mais passível de ser influenciado pelo terapeuta, por meio da quebra de mecanismos de defesa e resistências;
- aumento das habilidades cognitivas: pela aquisição e integração de novos padrões de pensamentos e de percepção, assim como po promover um maior conhecimento e compreensão de si mesmos;
- regulação do comportamento: em toda psicoterapia existiria, concomitantemente, mudanças de comportamento.

*poderíamos adicionar aqui ainda, um quarto grupo no qual seriam incluidos os fatores sociais (interpessoais), grupais ou sistêmicos.


Fatores de mudanças

Fatores de natureza cognitiva: psicoeducação, reestruturação cognitiva e insight

Psicoeducação:
objetivos: - Aumentar o conhecimento do paciente sobre o transtorno de que é portador, origem, perpetuação, mecanismos inerentes, tratamento, medicação, etc.
- Familiarizar o paciente com o modelo de terapia, mecanismos e estratégias utilizados para remover os sintomas, prevenção de recaídas, etc.
método: é realizada mediante explanações do próprio terapeuta através de gráficos, desenhos, leituras, consultas à internet, folhetos, etc., destinadas ao paciente e também aos seus familiares.

Reestruturação cognitiva:
Objetiva a correção de distorções cognitivas como forma de modificar o comportamento e as emoções, a isso se dá o nome de reestruturação cognitiva
Espera-se que ao longo da terapia ocorram dois tipos de mudanças:

- Nos pensamentos automáticos: idéias prontamente disponíveis sobre um acontecimento ou situação, cujo conteúdo pode ser realístico ou distorcido. Neste último caso, geralmente são disfuncionais, pois geram emoções perturbadoras e comportamentos desadaptados, como a esquiva fóbica destinadaos a neutralizá-los.

- Crenças subjacentes, também denominadas crenças nucleares ou esquemas cognitivos, são estruturas cognitivas organizadas aoo longo da vida, desde a infância, no convívio familiar e social, formando um corpo coeso de afirmativas (crenças nucleares), suposições ou regras (crenças intermediárias) a respeito de si próprio, da realidade à sua volta ou sobre o seu futuro, que guiam as percepções da realidade e a tomada de decisões, norteando as atitudes, decisões e comportamentos da pessoa. A reestruturação cognitiva é atingida por meio de um conjunto de intervenções específicas.

Intevenções cognitivas mais comuns:
- Psicoeducação
- Identificação e registro de pensamentos automáticos e disfuncionais e distorções cognitivas (RPDs ou ABC)
- Questionário socrático e exame das evidências ou de explicações alternativas
- Técnicas de reatribuição ou ressignificação
- Seta descendente e descatastrofização
- Exame das vantagens e desvantagens ou custo-benefício
- Lembretes
- Experimentos comportamentais


Insight

Quando existe a consciencia porém o sujeito é incapaz de utilizá-la para mudar o curso de sua doença, ou lidar com seus sintomas, chama-se de insight intelectual. Considera-se insight verdadeiro (ou emocional) quando o paciente adquire consciência pela intuição , de suas motivações e sentimentos mais profundos, muitas vezes inconscientes, e tal conhecimento tem como consequência mudanças em aspectos de sua personalidade e em padrões de comportamento. Representa, portanto, uma ampliação do auto-conhecimento e da capacidade de observação e uma aproximação maior da verdade sobre si mesmo, pelo aumento da capacidade de perceber as conexões entre emoções e comportamentos do presente e emoções e atitudes do passado, particularmente com pessoas significativas da sua vida.

"Para que o insight seja efetivo (verdadeiro) é necessário que ele seja acompanhado de emoções autênticas, como tristeza, alívio, gratidão, preocupação, etc., além de efetivas mudanças na conduta."

- Intervenções terapêuticas destinadas à obtenção do insight (Glenn Gabbard, 2007)
- Observação: o terapueta cham a atenção para um comportamento, para a sequência de um comentário, para um flash de uma emoção, para um padrão de comportamento que se repete dentro da terapia ou para fenômenos similares, não tentando explicar ou identificar os motivos. O objetivo de tal intervenção é incentivar o paciente a explorar o significado de tais fatos.
"O que não se pode observar não se pode elaborar" (Freud, 1914)

- Confrontações: são tentativas de levar o paciente a se defrontar com algo que está evitando, em razão das emoções desagradáveis que podem ser trazidas à tona. Embora tenha uma conotação agressiva, é importante que a confrontação seja feita de uma forma gentil, e não redunde, por parte do paciente, em um aumento de defesas, como a negação ou a racionalização

- Interpretações: são explanações feitas pelo terapeuta, propondo uma nova explicação de sintomas, emoções, pensamentos, comportamentos e motivações, que até então era desconhecida para o paciente e da qual ele não se dava conta.

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