Fatores inerentes à relação terapêutica (experiência afetiva): o vínculo afetivo e a aliança de trabalho, a identificação com o terapeuta, o apoio e a catarse.
"A observação dos aspectos transferenciais na relação terapêutica é a principal fonte de informações sobre os padrões de relacionamento interpessoal (primitivos e atuais) do paciente, assim como um fonte importante de informações sobre aspectos do seu caráter e, consequentemente, uma importante estratégia para a obtenção do insight."
O vínculo afetivo e a aliança de trabalho
"A qualidade das relações de objeto e das relações interpessoais nos pacientes, apresentou uma forte correlação com os resultados em psicoterapia"
Outros fatores que colaborar para a psicoterapia é a chamada aliança terapêutica e, mais recentemente, autores que estudam transtornos graves do caráter destacaram como relevante para que ocorram mudanças em psicoterapia a aquisição de certas estruturas psíquicas (construção de um self mais coeso e mais integrado). Para tal fim, concorreriam a própria experiência de trabalho colaborativo, bem como os processos de identificação entre o terapeuta e o paciente, e para que tais processos ocorram, é crucial que o paciente goste do seu terapeuta e consiga confiar nele e admirá-lo.
Identificação com a pessoa do terapeuta
É inevitável que o paciente em uma relação prolongada internalize aspectos reais da pessoa do terapeuta, especialmente os aspectos idealizados e com os quais se identifica, e, como consequência sejam modificadas representações (de self e de objeto) das figuras parentais internalizadas nos primeiros anos de vida. Na medida em que internaliza tais asectos, o paciente modifica as representações que estavam presentes em sua mente desde a infância, pois sabe-se que as representações do self e outras são gravadas em redes neurais nessa fase da vida. Para um efeito de mudança, os pacientes devem perceber o terapeuta como suficientemente similar aos objetivos do passado que ativaram as referidas redes neurais básicas. Como consequência, poderão imitá-lo em padrões mais superficiais de comportamento (modo de falar, de vestir-se) ou em aspectos mais profundos, como formas de pensar e de agir, ao internalizarem regras de conduta e de autocontrole, e, até mesmo, valores morais que admiram no terapeuta, com os quais se identificam e que passam a ser um modelo a ser imitado (aprendizagem social nos termos de Bandura).
Apoio
O paciente que está passando por dificuldades emocionais importantes sente-se desmoralizado, com sua auto-estima diminuída ou inteiramente ausente. Essa experiência pode anular por completo as capacidades de colaboração e de enfrentamento de suas dificuldades. O simples fato de se sentir aceito pelo terapeuta em quem deposita confiança e de que tem expectativas de que possa auxiliá-lo, muitas vezes, por si só, é suficiente para alterar esse estado de ânimo e mudar sua visão negativa em relação a si mesmo e ao futuro.
"Essa função pode ser entendida como um suporte, como o holding, nos termos de Winnicott, exercido pelo terapeuta, e tem aspectos que se assemelham a uma boa relação mãe-filho, condição insispensável para a internalização de aspectos positivos do terapeuta e para o fortalecimento e estruturação do ego, particularmente em pacientes com déficits em um ou mais processo de maturação"
Alguns conjuntos de intervenções de apoio (diretivas), utilizadas principalmente nas psicoterapias de apoio:
- sugestão
- aconselhamento
- estabelecimento de limites
- revisão de tarefas diárias
- auxílio na solução de problemas
- etc.
"Muitas vezes, em portadores de transtornos psiquiátricos graves, ou de lacunas importantes do desenvolvimento, bem como portadores de déficits de ego acentuados, muitas vezes o apoio é a única forma de psicoterapia passível de ser usada".
Catarse
Termo grego significando purificação, purgação, utilizado por Aristóteles para designar o efeito produzido no espectador ao assistir, no teatro, a uma tragédia. É o alívio da tensão e da ansiedade pelo ato de narrar pormenorizadamente e/ou de repetir na conduta experiências passadas. Essas recordações evocadas e mesmo revividas com intensidade dramática fornecem ao indivíduo uma ocasião para exprimir e para reviver afetos que, originalmente, estavam ligados a experiências traumatizantes e haviam sido reprimidos.
"A catarse pode ser um fator de cura essencial em situações de crises vitais ou acidentais agudas, nas quais a ansiedade pode ser grave e muito desconfortável; por exemplo, a esquiva fóbica e o bloqueio ou entorpecimento emocional são sintomas graves e incapacitantes no transtorno de estresse pós-traumático, e a catarse poderia contribuir para aliviá-los."
Fatores sociais, grupais ou sistêmicos
A terapia em grupo valoriza o conteúdo grupal como fator de mudança. Na situação de grupo ocorrem diversos mecanismos psicológicos que podem influenciar seus membros: identificação, tanto projetiva como introjetiva, com os demais mebros e com o líder; comportamento imitativo e aprendizagem interpessoal, pela observação dos outros participantes (aprendizagem social); correção de percepções distorcidas, por meio de uma visão mais realista dos problemas e pelo compartilhamento de informações; catarse, pela possibilidade de obter alívio com a ventilação de emoções e com a instilação da esperança; desenvolvimento do altruísmo (vontade de ajudar os outros); apoio decorrente do fato de se sentir parte de um grupo (coesão grupal) e ter afinidade com seus membros e com as tarefas; melhora da auto-estima; socialização desenvolvida pelo convívio em grupo (contato visual, aperto de mãos), etc.
"A situação de grupo favorece, ainda, fenômenos que nas terapias individuais ficariam mais difíceis de serem percebidos, na medida em que a situação grupal pode favorecer a recapitulação de situações vividas em família, trazendo à tona questões envolvendo inveja, ciúmes, rivalidades, disputas com figuras de autoridade ou mesmo problemas caracteriológicos."
A terapia interpessoal valoriza o contexto social e procura alterá-lo como forma de modificar os sintomas. Quatro áreas de problemas interpessoais são exploradas com mais ênfase:
- perdas complicadas (luto)
- transições de papéis ou mudanças de vida (casamento, formatura, aposentadoria, etc)
- disputa por papéis ou conflitos interpessoais (conflitos conjugais)
- e déficits interpessoais (isolamento, falta de apoio social).
A estratégia básica é identificar tais dificuldades e melhorar a capacidade do paciente de lidar com elas, partindo do pressuposto de que, dessa forma, possa superar seus problemas. Utiliza-se técnicas como a ventilação de emoções (catarse), exame de alternativas, confrontação, solução de problemas, apoio, etc.
"A qualidade das relações de objeto e das relações interpessoais nos pacientes, apresentou uma forte correlação com os resultados em psicoterapia"
Outros fatores que colaborar para a psicoterapia é a chamada aliança terapêutica e, mais recentemente, autores que estudam transtornos graves do caráter destacaram como relevante para que ocorram mudanças em psicoterapia a aquisição de certas estruturas psíquicas (construção de um self mais coeso e mais integrado). Para tal fim, concorreriam a própria experiência de trabalho colaborativo, bem como os processos de identificação entre o terapeuta e o paciente, e para que tais processos ocorram, é crucial que o paciente goste do seu terapeuta e consiga confiar nele e admirá-lo.
Identificação com a pessoa do terapeuta
É inevitável que o paciente em uma relação prolongada internalize aspectos reais da pessoa do terapeuta, especialmente os aspectos idealizados e com os quais se identifica, e, como consequência sejam modificadas representações (de self e de objeto) das figuras parentais internalizadas nos primeiros anos de vida. Na medida em que internaliza tais asectos, o paciente modifica as representações que estavam presentes em sua mente desde a infância, pois sabe-se que as representações do self e outras são gravadas em redes neurais nessa fase da vida. Para um efeito de mudança, os pacientes devem perceber o terapeuta como suficientemente similar aos objetivos do passado que ativaram as referidas redes neurais básicas. Como consequência, poderão imitá-lo em padrões mais superficiais de comportamento (modo de falar, de vestir-se) ou em aspectos mais profundos, como formas de pensar e de agir, ao internalizarem regras de conduta e de autocontrole, e, até mesmo, valores morais que admiram no terapeuta, com os quais se identificam e que passam a ser um modelo a ser imitado (aprendizagem social nos termos de Bandura).
Apoio
O paciente que está passando por dificuldades emocionais importantes sente-se desmoralizado, com sua auto-estima diminuída ou inteiramente ausente. Essa experiência pode anular por completo as capacidades de colaboração e de enfrentamento de suas dificuldades. O simples fato de se sentir aceito pelo terapeuta em quem deposita confiança e de que tem expectativas de que possa auxiliá-lo, muitas vezes, por si só, é suficiente para alterar esse estado de ânimo e mudar sua visão negativa em relação a si mesmo e ao futuro.
"Essa função pode ser entendida como um suporte, como o holding, nos termos de Winnicott, exercido pelo terapeuta, e tem aspectos que se assemelham a uma boa relação mãe-filho, condição insispensável para a internalização de aspectos positivos do terapeuta e para o fortalecimento e estruturação do ego, particularmente em pacientes com déficits em um ou mais processo de maturação"
Alguns conjuntos de intervenções de apoio (diretivas), utilizadas principalmente nas psicoterapias de apoio:
- sugestão
- aconselhamento
- estabelecimento de limites
- revisão de tarefas diárias
- auxílio na solução de problemas
- etc.
"Muitas vezes, em portadores de transtornos psiquiátricos graves, ou de lacunas importantes do desenvolvimento, bem como portadores de déficits de ego acentuados, muitas vezes o apoio é a única forma de psicoterapia passível de ser usada".
Catarse
Termo grego significando purificação, purgação, utilizado por Aristóteles para designar o efeito produzido no espectador ao assistir, no teatro, a uma tragédia. É o alívio da tensão e da ansiedade pelo ato de narrar pormenorizadamente e/ou de repetir na conduta experiências passadas. Essas recordações evocadas e mesmo revividas com intensidade dramática fornecem ao indivíduo uma ocasião para exprimir e para reviver afetos que, originalmente, estavam ligados a experiências traumatizantes e haviam sido reprimidos.
"A catarse pode ser um fator de cura essencial em situações de crises vitais ou acidentais agudas, nas quais a ansiedade pode ser grave e muito desconfortável; por exemplo, a esquiva fóbica e o bloqueio ou entorpecimento emocional são sintomas graves e incapacitantes no transtorno de estresse pós-traumático, e a catarse poderia contribuir para aliviá-los."
Fatores sociais, grupais ou sistêmicos
A terapia em grupo valoriza o conteúdo grupal como fator de mudança. Na situação de grupo ocorrem diversos mecanismos psicológicos que podem influenciar seus membros: identificação, tanto projetiva como introjetiva, com os demais mebros e com o líder; comportamento imitativo e aprendizagem interpessoal, pela observação dos outros participantes (aprendizagem social); correção de percepções distorcidas, por meio de uma visão mais realista dos problemas e pelo compartilhamento de informações; catarse, pela possibilidade de obter alívio com a ventilação de emoções e com a instilação da esperança; desenvolvimento do altruísmo (vontade de ajudar os outros); apoio decorrente do fato de se sentir parte de um grupo (coesão grupal) e ter afinidade com seus membros e com as tarefas; melhora da auto-estima; socialização desenvolvida pelo convívio em grupo (contato visual, aperto de mãos), etc.
"A situação de grupo favorece, ainda, fenômenos que nas terapias individuais ficariam mais difíceis de serem percebidos, na medida em que a situação grupal pode favorecer a recapitulação de situações vividas em família, trazendo à tona questões envolvendo inveja, ciúmes, rivalidades, disputas com figuras de autoridade ou mesmo problemas caracteriológicos."
A terapia interpessoal valoriza o contexto social e procura alterá-lo como forma de modificar os sintomas. Quatro áreas de problemas interpessoais são exploradas com mais ênfase:
- perdas complicadas (luto)
- transições de papéis ou mudanças de vida (casamento, formatura, aposentadoria, etc)
- disputa por papéis ou conflitos interpessoais (conflitos conjugais)
- e déficits interpessoais (isolamento, falta de apoio social).
A estratégia básica é identificar tais dificuldades e melhorar a capacidade do paciente de lidar com elas, partindo do pressuposto de que, dessa forma, possa superar seus problemas. Utiliza-se técnicas como a ventilação de emoções (catarse), exame de alternativas, confrontação, solução de problemas, apoio, etc.

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