sábado, 19 de setembro de 2009

Síndromes Neuróticas (fobias, quadros obsessivo-compulsivos, histeria, somatizações)

Identificar um indivíduo como tendo um quadro neurótico permite uma compreensão adequada para um considerável número de pacientes que apresenta sintomas ansiosos, fóbicos, obsessivos, histriônicos e hipocondríacos. Tais sintmas oscilam e se alternam no tempo, com muita frequência, permanecendo um núcleo constante, que se denomina neurose. Além disso, o consctructoneurose aponta para uma estruturação da subjetividade expressiva de conflitos intrapsíquicos (recalque, luta interna, impulsos inaceitáveis perante um julgamento rígido, etc.) e interpessoais (frustração recorrente nas relações pessoais, insatisfação constante com o que recebe e dá aos outros, rigidez, etc)


Segundo Van Der Berg ( 1970), a neurose é uma perturbação do contato inter-humano,
uma perturbação nas relações com os outrem, sem que, para explicá-la, se possa apelar exclusivamente a defeitos corporais, doenças corporais, psicoses, falhas constitucionais ou anomalias de caráter.

No centro de todas as neuroses está a angústia. O homem neurótico vive os conflitos humanos fundamentais de forma particularmente dolorosa e recorrente. A neurose pode ser vista ainda como uma forma particular de relação do indivíduo com os outros, com a corporeidade própria e a dos outros, com os objetivos (materiais, e simbólicos) do mundo, fonte de uso e de gozo.

"Quem não atribui importância particular ao contato com outros, à existência corporal própria e alheia, e às disponibilidades úteis e gozosas não pode ficar neurótico." (Van Der Berg)

Segundo Henri Ey (1974), as neuroses são transtornos caracterizados por conflitos intrapsíquicos que inibem e perturbam as condutas sociais. As neuroses produzem antes uma perfuração do equilíbrio interior do sujeito neurótico que uma mudança em seu sistema de realidade. Nos neuróticos, de modo geral, sobressaem-se as manifestações de uma angústia permanente e de mecanismos de defesa que, em última análise, fracassam na resolução de conflitos. São dificuldades e conflitos intrapsíquicos e interpessoais, que mantêm o sofrimento, a frustração, o empobrecimento e a inadequação tanto do EU como das relações interpessoais.

 Quadros Fóbicos

  • Agorafobia
  • Fobia simples ou específica
  • Fobia social
Síndromes obsessivo-compulsivas
  • Síndromes obsessivas
  • Síndromes compusivas
Quadros histéricos: conversões e dissociação (quadros dissociativos)
As síndromes histéricas caracterizam-se por apresentar manifestações clínicas tanto referentes ao corpo como à mente e ao comportamento. No corpo, predominam as alterações das funções sensoriais e motoras e, na mente, aquelas relacionadas à consciência vígil, à memória e às percepções.
Segundo Van Den Berg (1970), o paciente histérico apresenta uma peculiaridade: necessita de contato e tem incapacidade de mantê-lo e aprofundá-lo. Do ponto de vista existencial, tais indivíduos vivem em um contexto de inautencidade no contato interpessoal; suas suas relações soam falas, eles parecem que precisam representar constantemente no seu relacionamento com as pessoas.

- Histeria de conversão: os sintomas e as perturbações corporais são muito variados: paralisias histérica, cegueira histérica, perturbações histéricas no andar e no ficar de pé (astasia-abasia) e perda da fala ou rouquidão histérica (afonia histérica). Chama a atenção, nesses pacientes, o fato de, ao notarem seus distúrbios corporais aparentemente muito graves (paralisias, cegueira, anestesias, etc.) reagirem vivencialmente com indiferença exemplar. A isso os clínicos antigos denominavam la belle indifférence des hystériques (a bela indiferença dos histéricos).
Conforme salienta Ramadam (1985)
o comprometimento provocado pela histeria não é equivalente à função biológica ou natural do órgão, segundo suas estruturas e disposições anatomofuncionais; o distúrbio corresponde, sempre, à utilização habitual que o paciente faz do órgão ou à representação imaginária e simbólica que tem daquela função.
- Histeria dissociativa: podem ocorrer alterações da consciência, com pseudocrises que se assemelham a crises epitépticas. Ocorrem frequentemente como crises histérico-dissociativas, com rebaixamento e afunilamento da consciência (estado crepuscular histérico). Também são consideradas formas de histeria de dissociação as  amnésias histéricas, nas quais o indivíduo esquece elementos seletivos e significativos do ponto de vista psicológico. Além disso, podem ocorrer fugas histéricas e fenômenos sensoperceptivos (ilusões, pseudo-alucinações) de natureza histérica. Estudos recentes indicam que ocorrem alterações cerebrais funcionais durante os episódios com sintomas histéricos de conversão.

Síndromes Hipocondríacas e somatização


- Nos quadros hipocondríacos, predominam os temores e as preocupações intensas com a idéia de ter uma doença grave. Essas idéias surgem geralmente a partir de sensações corporais ou sintomas físicos insignificantes. *Embora haja essa preocupação enorme, tais preocupções não possuem caráter delirante, podendo o indivíduo em certa altura perceber o caráter absurdo de suas preocupações.

- Somatização: processo pelo qual um indivíduo usa (consciente ou inconscientemente) seu corpo ou sintomas corporais para fins psicológicos ou para obter ganhos pessoais.
Denomina-se alexitimia a dificuldade de identificar sentimentos e diferenciá-los de sensações corporais, assim como a dificuldade de falar sobre as próprias emoções. A aleximia parece ser mais frequente em alguns grupos sociais e culturas e possivelmente se associa a certos traços de personalidade, como introversão, isolamento e piores relações interpessoais..
Síndromes neurastênicas


Atualmente está em desuso, tendendo a ser substituída pelo conceito de síndrome da fadiga crônica. A neurastenia caracteriza-se por fadiga fácil depois de esforço físico ou mental, dores musculares, dificuldade de relaxar, sensação de fraqueza e exaustão corporal, irritabilidade, dificuldade em concentrar-se, tonturas, cefaléias e insegurança. Pode haver dificuldades com o sono. Sintomas depressivos sobrepõem-se amplamente aos da neurastenia.


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